terça-feira, 24 de março de 2015

Quem manda adoecer o cerebro?


“Trabalho em psiquiatria há 30 anos e ainda não sei muito bem o que é isso da loucura”  - Afirma José Salgado.


Psiquiatra fala da fronteira da loucura, das doenças mais comuns e dos sinais precoces. Mas também da crise que pode estar a alimentar a epidemia da depressão. E não é financeira.



A Semana Internacional do Cérebro foi o motivo para procurar respostas sobre a doença mental. José Salgado, director clínico do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, aceitou ser o guia numa área complexa e fala dos sintomas e da prevenção, da insensibilidade que o choca e do estigma, que continua a fazer com que os doentes tenham de se esconder no trabalho.


Se o cérebro comanda todos os órgãos, quem o manda adoecer?
Penso que o temos de ver mais como constituinte, em permanente interacção. Vamos supor uma pessoa cujo fígado e rins não funcionam enquanto filtros ou o coração não bombeia bem o sangue para o cérebro. Pode ter problemas cerebrais, quer por ficarem em circulação substâncias tóxicas ou não havendo uma adequada oxigenação. Ou seja, o cérebro adoece da mesma forma que os outros órgãos, por razões genéticas ou adquiridas, sendo que estas também interagem. Mas é curioso: por vezes pensa-se que a depressão só existe se houver uma causa externa. Não é verdade: há pessoas deprimidas sem factos negativos nas suas vidas.
Imagino que seja algo ainda mais desvalorizado.
No geral a depressão ainda é toda muito desvalorizada. Ainda há muito a ideia de que basta ter força de vontade quando o problema reside nessa incapacidade. É como dizer a um atleta com o pé torcido que para superar a lesão tem de correr.
Das doenças mentais a depressão é a mais incompreendida?
É mais comum. É das maiores causas mundiais de incapacidade. Condiciona o prognóstico de doenças físicas, sejam infecciosas, oncológicas ou auto-imunes. Por ser tão abrangente é muito incompreendida.
Porquê? Por confundir-se com tristeza?
Acho que a razão será a mesma em todas as doenças mentais. O estigma sempre existiu. Passe o excesso, a grande diferença em relação à atitude na Idade Média e hoje em dia é que na Idade Média queimavam-se literalmente os doentes. Hoje queimam-se socialmente.
Que relatos lhe chegam?
Muitas pessoas têm de esconder no trabalho que têm uma depressão, se não são discriminadas. Mas se formos para outras doenças ainda é pior. Vemos políticos, comentadores e jornalistas a usar o termo esquizofrénico como insulto. O mesmo se passa quando se diz que alguém mais irascível é bipolar. O estigma e desvalorização são notórios no dia-a-dia.
O que é que isto diz sobre o país?
É um problema mundial. Acho que no fundo é um reflexo do medo que vem da ignorância. Se falarmos com uma pessoa com esquizofrenia vemos que tem uma história muito semelhante à nossa. Tem apenas um determinante biológico que favoreceu a doença. É essa proximidade que assusta a sociedade.
A curta distância da loucura?
Exactamente. Trabalho há 30 anos em psiquiatria e ainda não sei muito bem o que é isso da loucura. Muitos doentes que vemos e são oficialmente doentes são menos loucos, passe a expressão, que pessoas que vemos fora deste contexto. Não há uma fronteira exacta. Quando dou aulas traço uma linha em que num extremo está o zero (a ausência absoluta de doença) e o infinito (a pessoa completamente doente. E depois traço a área das pessoas normais, antes do meio da linha. Não há ninguém que esteja no zero porque todos temos traços de personalidade, que maximizados seriam doença. Traços obsessivos, depressivos. Há pouco falou da tristeza. O que é a tristeza normal? É normal que a pessoa quando tem uma perda fique triste, mas nem todas as pessoas que têm a mesma perda têm o mesmo nível de tristeza. E até há pessoas que não têm perdas e têm tristeza e pessoas que têm grandes perdas e passam bem.
Na psiquiatria existe mais tentativa e erro que noutras especialidades?
Não. Algumas doenças como a depressão crónica deixam marcas no cérebro e quando prescrevemos por um exemplo um antidepressivo fazemo-lo consoante o tipo de depressão, se há mais queixas do tipo físico ou não, maior ou menor insónia, mais ou menos ansiedade, a hora do dia em que a pessoa está mais deprimida. Muitos mecanismos só foram identificados depois dos primeiros medicamentos nos anos 50, mas hoje há muita informação.
A depressão é o problema mais comum. No futuro serão as demências?
Ainda bem que as pessoas estão alerta porque com o aumento da esperança de vida há de facto mais demências, já que na maioria das vezes estão ligadas ao envelhecimento. Mas os últimos dados indicam que nos países mais desenvolvidos tem havido uma diminuição dos casos, pelo que poderá não ser tão expressivo.
Qual é a explicação?
Provavelmente a melhoria das condições de vida, aspectos nutricionais, exercício, o estímulo a nível intelectual. É de qualquer forma um dado positivo.
Mas o aumento da carga de doença mental não pode favorecer a demência?
Sim. Sabemos que qualquer doença que provoque danos cerebrais pode favorecer o aparecimento da demência. Acontece com a depressão crónica mas também pode surgir com traumatismos cranianos, AVC e até há demências ligadas aos enfartes múltiplos, que geralmente até são quadros mais rápidos do que o de Alzheimer.
E isso, aliado por exemplo ao stresse, não pode inverter essa boa tendência?
Sabemos que exercício e dieta equilibrada são factores protectores. O bom seria começar a prevenir aos 15 anos mas só à medida que as pessoas vão ficando mais velhas é que têm mais cuidados. Claro que o stresse é um factor gerador de múltiplos problemas. Não sei se associá-lo à demência contudo não será excessivo. Mas há uma coisa a ter em conta: no meio desta sensibilização as pessoas esquecem-se que o envelhecimento traz diminuição da memória, da concentração, que é natural.
Qual é aqui a fronteira do normal?
Sabemos que aos 80 anos há uma diminuição de 10% da parênquima cerebral em pessoas normais.
Tal como as pessoas mirram com a idade, o cérebro encolhe?
Sim. E isso é natural que cause maior confusão mas as pessoas ficam assustadas com medo que seja demência.
No geral, que sinais de doença mental são mais desvalorizados?
Nas fases muito precoces da depressão as pessoas começam a sentir menos prazer nas coisas. Pode ser um sinal de alerta. Gostavam muito de fazer desporto mas deixa de lhes apetecer e não vão um dia, dois, três. Se o desinteresse começa a aplicar em várias coisas devem procurar ajuda. E outra coisa que as pessoas sabem mas escondem tem a ver com o aumento da ansiedade. Por vezes até há repercussões físicas mas, em vez de procurar ajuda, começam a abusar dos ansiolíticos, que não tratam e causam habituação.
E dos medicamentos para dormir.
E nisso há algo que parece paradoxal mas não é: os problemas de insónia não se tratam com comprimidos para dormir. São um apoio pontual, só isso. Costumo dizer que temos alguns de milhares de toxicodependentes de 70 anos e com um ar simpático. São as pessoas que vão às consultas com o seu saquinho dos medicamentos e há sempre dois ou três calmantes. É um problema grave: são pessoas mais velhas que vivem sozinhas e querem ir para a cama às 19h e dormir até às 9h, 14 ou 15 horas, quando é sabido que os idosos dormem menos. O perigo é que a toma de ansiolíticos provoca alterações a nível cognitivo que podem favorecer o aparecimento de demência.
Nas demências, que sinais precoces devem ser valorizados?
Situações em que a memória recente e imediata começa a estar afectada, portanto não lembrar o que se fez há cinco minutos ou acabou de fazer. Aí vale a pena fazer uma TAC e ver se há deterioração cognitiva. Há uma relação directa entre depressão e demência não só por haver alterações que aumentam a susceptibilidade mas porque em idades avançadas há depressões em que parece que a pessoa tem uma pseudociência e com medicação melhora, o que não acontece na demência. São situações que importa despistar.
Não é possível reverter a demência?
Não, os fármacos contribuem para retardar. Mas há coisas que podem ajudar a melhorar a qualidade de vida como o exercício. Torna o organismo mais resistente mesmo nos aspectos imunológicos. Basta 15 a 20 minutos de caminhada diária.
Que outros cuidados deve haver?
Uma coisa que nos idosos aumenta a confusão mental é que, precisamente por terem menos concentração, lidam mal com a mudança. Há muito o hábito de passarem temporadas em casa dos filhos. Uma pessoa que tem alguma deterioração se anda sistematicamente a mudar de casa, de cama e de vizinhos vai confundir-se naturalmente. Deve evitar-se que o idoso ande sempre a trocar de casa e, a circular, que esteja pelo menos três a seis meses em cada sítio. Já tive casos em trocavam todas as semanas, por cinco e seis filhos.
Qual é a doença mais angustiante?
Para o próprio nas idades mais jovens é a esquizofrenia e nas mais avançadas a demência.
Na esquizofrenia, também é duro para os filhos pensar no risco da doença.
Sim mas mesmo nos casos em que ambos os pais são esquizofrénicos a probabilidade não ultrapassa os 50%. E olhando para gémeos iguais mas criados por famílias diferentes um desenvolve e outro não. Tendo ambos o mesmo componente biológico foram aspectos psicossociais que determinaram o aparecimento. É um chavão mas na saúde interagem factores biológicos, sociais e psicológico. Nos factores externos, outra realidade a que se deve dar mais importância é o efeito da canábis no aparecer de casos psiquiátricos.
Têm muitos jovens com esse problema?
Temos uns 10 ou 15, dos 14 anos aos 25/30. Estima-se que 15% a 20% da população terá susceptibilidade genética para desenvolver psicose com a canábis. Temos as psicoses tóxicas, que duram seis meses e passam se não tornar a consumir. Mas depois há casos graves de esquizofrenias que se não fosse aquele empurrão nunca apareceriam, portanto evitáveis.
Que casos é que o impressionam mais?
Todas as especialidades têm casos graves. O que me impressiona mais não é a doença, é a estupidez muitas vezes dos familiares e amigos. Mas quando a família que deve ser um aliado, não reconhece e abandona pais ou filhos nos hospitais e dá respostas como eu já ouvi dizer à filha de uma doente: “que o Estado tome conta dela que eu pago os meus impostos”…
A doente tinha o quê?
Doença bipolar estabilizada. Mas como tinha 70 anos… Mas também temos pais que dizem isso dos filhos e temos casos desses no hospital, de pais que recusam levar os filhos.
Como foram os últimos quatro anos de crise no consultório?
Foi um abanão. Pensávamos que íamos ter mais que os nossos pais, os nossos filhos mais que nós. De repente vimos que não era assim e viu-se a crise como coadjuvante de quatros depressivos. Ouvimos falar de desemprego, problemas nas empresas, desagregação das famílias. Agora não posso dizer o aumento da depressão seja exclusivamente atribuível à crise. Há quem fale de epidemia mas tem ocorrido também em períodos de maior abundância.
Consequência da mudança de valores?
Certamente, consequência deste mundo. De uma competitividade desenfreada, do culto do individualismo. Isto de para alguns ser dramático não ter dinheiro para comprar um plasma e continuar com a televisão antiga. Acho que o estado civilizacional estará por detrás do fenómeno.
E com a poeira da crise a assentar, como saímos disto?
Às vezes perguntam-me como se previne a depressão. Há, como em tudo, uma resposta simples e outra complicada. A simples é melhorando o bem-estar e felicidade. Se a pessoa tiver susceptibilidade mas uma vida boa resiste melhor. A resposta complicada é olhar para a sociedade e perceber que a certa altura passámos a ser um grupo de pessoas que estão no mesmo sítio mas cujos laços se foram esboroando. Olhamos cada vez menos para o que se passa ao nosso lado e, se for algo que incomode, menos ainda. Se voltássemos a ser uma sociedade as coisas melhorariam.
Portanto não vê nada de terapêutico nos últimos anos.
Não. E por isso vemos mais pessoas com necessidade de largar tudo, de romper.
Recomenda?
Se quiserem e tiverem capacidade.
Nunca é tarde?
Com certeza. Há uns anos um senhor levou a mãe à minha consulta. A senhora tinha 75 anos e ele achava que devia estar demenciada porque queria divorciar-se do pai. Ela estava tudo menos doente: dizia não queria morrer ao lado de um marido que lhe tinha dado cabo da vida. Queria recomeçar e estava determinada. Temos de perseguir sonhos, não o fazemos mais pelo medo do risco. Queremos ter a certeza antes de tentar. Chamo-lhe fazer batota para perder, as pessoas armadilham-se no seu caminho. Às vezes não têm de ser mudanças radicais.
Marta F. Reis, in Jornal I

É necessário encerrar ciclos



É preciso saber sempre quando uma etapa chega ao fim. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. 

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação?
 Deixou a casa dos pais? Partiu para viver noutro país? 
Uma amizade antiga terminou sem explicações? 

Pode passar muito tempo a perguntar-se porque aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais nenhum passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas na sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: os seus pais, o seu marido ou sua esposa, os seus amigos, os seus filhos, a sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo em frente, e todos sofrerão ao ver-te parado.
 

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem connosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente crianças, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia numa ligação com uma pessoa que já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para instituições, vender ou doar os seus livros. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está a acontecer no nosso coração - e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras fiquem no seu lugar.
 

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está a  jogar nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram o seu génio, que entendam o seu amor. Pare de ligar a sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como sofreu com determinada perda: isso estará apenas a envenená-lo, e nada mais.

Não há nada mais perigoso do que não aceitar o fim dos relacionamentos amorosos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que são sempre adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.
 

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e transforme-se em quem é.


Texto de Gloria Hurtado, adaptado por Maria Pascoal psicóloga clínica

segunda-feira, 23 de março de 2015

8 Sintomas de depressão


Nem sempre a pessoa que sofre de depressão ou os seus familiares reconhecem os sintomas desta doença. Esta situação pode acontecer, porque se manifesta de forma diferente de pessoa para pessoa ou por existir alguma dificuldade na identificação dos sintomas implícitos.

1. A pessoa pode não parecer deprimida

Muitas vezes as pessoas deprimidas, conseguem esconder dos outros os sintomas de depressão, como forma de autoproteção. As pessoas usam capas para camuflar o que sentem, querem mostrar aos outros que está tudo bem, mas por trás desse disfarce existe muito sofrimento.

2. Queixas de cansaço frequentes
Um dos sintomas de depressão é o cansaço constante. A sua causa parece ser desconhecida. A pessoa deprimida pode dormir o suficiente, mas acorda quase sempre cansada, explicando a sua falta de energia, por cansaço acumulado ou por características pessoais. Apesar de ser comum, não se manifesta em todas as pessoas.
O reflexo da falta de energia, influência a motivação para interações sociais e provoca diminuição de produtividade. 

3. Irritabilidade constante
O comportamento de uma pessoa deprimida, pode ser associada a sinais de tristeza. Acontece que a pessoa além de triste, fica frequentemente irritada. 

4. Alterações de humor frequentes
As mudanças de humor constantes, são um sinal de depressão em muitas pessoas.

5. Evita manifestações de afeto e impede que as pessoas se preocupem Nem sempre a depressão gera só sentimentos de tristeza e irritabilidade, em muitos casos, a pessoa parece que não sente nada, em relação ao que se passa à sua volta, como se tudo lhe fosse emocionalmente indiferente. Mostra pouco interesse por reações afetivas, tendo dificuldade em lidar com as mesmas.

6. Evita atividades que antes apreciava
Pode ser sinal de depressão se persistir por um longo período de tempo. Este indício pode estar relacionado, com a falta de energia ou porque a pessoa já não consegue retirar prazer dessa atividade.

7. Mudança de hábitos alimentares A pessoa deprimida preocupa-se pouco consigo, pode comer em excesso ou ter pouco apetite. Comer pouco é normal, porque a depressão diminui o apetite, mas pode comer em excesso, por ser uma forma de sentir algum prazer.

8. A capacidade para fazer as tarefas é mais limitada
Sente grande dificuldade em fazer as tarefas habituais. Confrontar a pessoa deprimida com esta situação não a ajuda, só contribui para que se sinta pior, ao ficar magoada com as críticas.

A dificuldade em identificar os sinais, impede muitas vezes a procura de ajuda profissional para realizar o diagnóstico. Mesmo depois de ser diagnosticada, a pessoa pode recusar-se a admitir que sofre de depressão.


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sábado, 21 de março de 2015

13 Sugestões para dormir melhor!



A insónia é uma perturbação do sono, caracterizada por várias dificuldades, em adormecer, em dormir o número de horas necessárias ou em situações que o sono não é suficientemente reparador, acontece nos casos em que a pessoa acorda, mas sente-se cansada, apesar de dormido 7 ou 8 horas.

Dormir bem é fundamental para que a pessoa consiga ter qualidade de vida e, a existência de perturbações do sono acarreta várias consequências no seu dia-a-dia, tais como, diminuição da concentração, lapsos de memória e variações de humor.

Existem medicamentos para eliminar a insónia, especialmente as insónias agudas, ou seja, as que ocorrem pontualmente, por serem pouco frequentes, no entanto, existem consequências quando são tomados com regularidade, como, diminuição de sono profundo e causar dependência a longo prazo.

Estratégias para adormecer melhor e evitar medicamentos!

1-Realize alguma atividade relaxante antes de ir dormir. Deve evitar ir para a cama a pensar em preocupações ou a sentir irritabilidade interna. Procure relaxar antes de adormecer, pode ler até sentir sono, ouvir música calma ou fazer qualquer atividade relaxante ou refeição ligeira se sentir fome. Tente perceber se existe algum ritual que funcione melhor consigo.


2-Se não conseguir dormir ao fim de meia hora levante-se, não continue a dar voltas na cama e tente fazer alguma tarefa relaxante até sentir sono ou anotar alguma coisa que esqueceu. Se costuma ter dificuldade por pensar nas coisas que tem para fazer no dia seguinte, tente anotar as mesmas, antes de tentar adormecer.

3-Deite-se só quando sentir sono. Se vai para a cama sem ter sono para tentar adormecer, só aumenta a ansiedade e dificulta o sono.


4-Comer ou beber muito antes de ir dormir. Evite ir para a cama com a sensação de barriga cheia, assim como beber muitos líquidos, por aumentarem a possibilidade de acordar durante a noite para ir à casa de banho.


5-Evite bebidas estimulantes à noite e se possível durante o dia, não ingira bebidas energéticas, como café, chá preto ou chocolate, após as 16h.


6-Evite ver televisão ou permanecer no computador até ter sono. Este tipo de práticas dificulta que o seu cérebro relaxe e, consequentemente dificulta o adormecer.


7-Evite levar tarefas para o quarto, principalmente se relacionados com o trabalho. Impede assim, de associar o quarto a preocupações.


8-Estabeleça um horário frequente. Deve tentar adormecer e acordar sempre às mesmas horas, inclusive no fins-de-semana. Independentemente do tempo que dormiu durante a noite, tente sempre levantar-se à mesma hora.


9-O quarto deve ter um ambiente harmonioso e tranquilo. Retire o som do telemóvel ou do relógio, por forma, a evitar qualquer tipo de barulho durante a noite. Escolha um colchão, em que se sinta confortável e tente perceber qual a melhor posição para adormecer. Feche bem as persianas, para evitar a entrada de luz, mantenha uma temperatura amena e exclua a televisão do quarto.


10-Se possível não leve telemóvel ou relógio para cabeceira. Não conseguir ver as horas durante a noite, pode diminuir a ansiedade e melhorar a qualidade do sono.


11-Pratique exercício físico. A prática regular de alguma atividade desportiva, aumenta a qualidade de sono, segundo alguns estudos em 65% das pessoas. Mas, realizar exercício físico intenso, antes de ir dormir é prejudicial.


12-Não pratique exercício físico nas 6 horas antes de ir para a cama, porque exercício aumenta a temperatura do corpo. O sono é facilitado pela descida da temperatura corporal e da subida da melatonina.


13-Evite fazer sestas, no caso de não conseguir evitá-las, não faça sestas após as 16h e nunca durma mais de 30 minutos.


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segunda-feira, 16 de março de 2015

Como resolvemos os nossos conflitos?



Os conflitos internos, ocorrem dentro de nós e têm como finalidade a autodefesa da pessoa, perante situações percecionadas como sendo ameaçadoras. Estes conflitos criam em nós alguma angústia. Mas é essa angústia que nos estimula a resolver os problemas. No entanto, a pessoa nem sempre consegue resolver os problemas imediatamente, porque os problemas pessoais nem sempre podem ser resolvidos através da razão, por existir uma implicação emocional que reduz a objetividade. Naturalmente por esse motivo, têm de ser solucionados de forma indireta, procurando uma maneira de nos adequarmos aos requisitos da sociedade em que estamos inseridos.

Os mecanismos de defesa são considerados ações psicológicas que têm por objetivo reduzir, qualquer manifestação que possa colocar em perigo a integridade da própria pessoa. Ocorrem quando a pessoa sente alguma dificuldade em lidar com determinada situação ou quando por qualquer razão a considera ameaçadora. As mesmas podem ser, subconscientes ou inconscientes, facilitando que a pessoa encontre uma solução para os seus conflitos, ansiedades, frustrações, ressentimentos, impulsos que não foram resolvidos a nível consciente.

Existe no interior pessoa um conflito permanente para dar sentido às suas experiências, assim como, a necessidade de encontrar explicações para os seus processos internos, sentimentos e comportamentos. Os conflitos surgem para satisfazer a pessoa, na procura de justificações para diminuir a sua angústia, preservando o auto-respeito. Elaboramos para tal, explicações racionais para causas emocionais e motivacionais, por forma a defender o nosso “eu”, Tentado descobrir razões válidas, mesmo que ilusórias, para justificar os nossos fracassos ou as nossas atitudes.

Existem algumas situações em que as dificuldades emocionais, podem persistir durante meses ou anos, originando assim, uma intensa ou sensações desaprazíeis, tais como, ansiedade, sentimentos de culpabilização, medo ou angústia.

Nesses momentos, recorremos a mecanismos de defesa, sem termos consciência disso, por forma, a conseguir eliminar a angústia sentida, incitada por emoções desagradáveis, resultantes de situações stressantes que nos provocam aumento da ansiedade. A base dos mecanismos de defesa é a angústia, por esse motivo, quanto mais a pessoa estiver angustiada, mais acentuados ficam os seus mecanismos de defesa.

Qualquer pessoa pode utilizar mecanismos de defesa, perante uma situação que perceciona como stressante, originando intensa ansiedade. De um modo geral reage da seguinte forma: Enfrentar o problema ou tenta negar e deturpar a realidade da situação. Este tipo de negação da realidade é o mecanismo de defesa.

Estes comportamentos só se tornam patológicos, a partir do momento em que a resposta se torna pouco eficaz, pelo facto de não ser adequada ao conflito que a pessoa está a experienciar. Recorrer frequentemente a mecanismos de defesa ineficazes, pode indicar que a pessoa apresenta sintomas neuróticos ou até sintomas psicóticos em casos mais acentuados.

10 Mecanismos de defesa

1. Idealização - mecanismo que acontece quando a pessoa exagera os aspetos positivos de determinada situação, com o objetivo de se proteger da angústia. Exemplo disso é quando sente que o seu Deus a protege.

2. Racionalização - acontece quando a pessoa utiliza explicações lógicas ou sociavelmente aceitáveis. Exemplo disso, é quando a pessoa tenta explicar a sua obsessão pela arrumação, limpeza ou simetria, dando a justificação de que é muito importante a ter as coisas bem organizadas e limpas, outro exemplo, é quando alguém passa demasiado tempo a jogar, referindo que não tem mais nada para fazer.

3. Negação - sucede quando a pessoa nega ou não reconhece as circunstâncias que a influenciam mas, exprime sentimentos contraditórios relativamente a essa situação. A pessoa ao negar a sua existência é provável que se distancie do impacto desagradável de determinado acontecimentos ou sentimento. Exemplo disso, é quando a pessoa é apanhado a mentir e, continua a negar, referindo que tem provas do que está a dizer. Outra situação, quando uma pessoa não consegue controlar o seu vício de jogo e não reconhece que é dependente do jogo.

4. Projeção - a pessoa transfere os seus pensamentos, sentimentos ou causas do que acontece e outra pessoa. Fazendo com que outra pessoa se sinta culpada pelos mesmos. Acontece quando uma pessoa se sente atraída por alguém mas, acredita que a outra pessoa é que está apaixonada por ela.

5. Deslocamento - Quando alguém se afasta da emoção sentida ou da sua origem por algo que a substitua. Sobrevém por exemplo, no caso de uma pessoa ter ficado irritada com algo que aconteceu no trabalho e, quando chega a casa provoca conflitos familiares.

6. Regressão - quando a pessoa apresenta um comportamento imaturo. Surge quando o adulto tem comportamentos reveladores de pouca maturidade, ou seja, pouco adequados à sua idade. Exemplo disso é quando alguém faz birra porque os amigos não querem ir ao sítio que ela deseja e escolhem outro local.

7. Isolamento – acontece quando a pessoa se desliga dos sentimentos perturbadores. A pessoa torna-se insensível relativamente a determinada situação, descrevendo-a como se tivesse acontecido com outra pessoa. Este pensamento parece ser eficiente, em determinadas circunstâncias, ao colocar no mesmo nível, duas apreciações incompatíveis, sem existir consciência das divergências. É uma forma de isolar as interações inerentes, reduzindo os conflitos internos. Exemplo disso é quando uma pessoa maltrata outra e não sente sentimentos de culpa associados a esse comportamento.

8. Repressão- mecanismo que mantém afastado da consciência alguma ideia penosa. Acontece quando a pessoa sente muita dificuldade em reconhecer os impulsos que originam a sua angústia ou tem dificuldade em recordar situações traumáticas do seu passado. Exemplo disso é quando uma pessoa está numa consulta de psicologia e não se recorda de determinados acontecimentos passados traumáticos, onde o paciente continua a guardar no seu inconsciente os acontecimentos que não deseja recordar.

9. Anulação -  acontece nos casos em que a pessoa recorre a comportamentos ou a rituais mágicos, por forma a conseguir contrariar ou destruir um malefício que imagina, como sendo a causadora dos seus próprios desejos. Exemplo disso é quando se bate na madeira para afastar um pensamento que não queremos que aconteça.

10.Dissociação - mecanismo pelo qual um determinado grupo de pensamentos, é separado de outro grupo de pensamentos. Acontece quando um pensamento é considerado bom e o outro mau. É uma defesa que elimina a angústia de pensar mal de quem se pensa bem. Ajuda a pessoa a não sentir culpa por não ter pensamentos maus de algo bom.

Existem para além destes, outros mecanismos de defesa: identificação; fixação; compensação; introjeção; sublimação; compensação; formação reactiva;reparação e idealização, entre outros.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Perturbação obsessivo-compulsiva-10 indícios



É uma doença do foro psicológico/psiquiátrico relacionada com a ansiedade, que se caracteriza pela existência de pensamentos obsessivos e compulsivos, em que a pessoa tem comportamentos repetitivos e atípicos, ideias irracionais e rituais incontroláveis, relativamente a questões de saúde, higiene, simetria ou perfeição. Este tipo de comportamentos, interferem nas atividades diárias, causando enorme desconforto e sofrimento.

Estes comportamentos repetitivos, atípicos, ideias irracionais e rituais incontroláveis, são denominados de compulsão, sendo originados por pensamentos persistentes e, a pessoa não os consegue evitar são denominados de obsessão.

As compulsões são comportamentos ou actos repetitivos e voluntários. A pessoa tem este tipo de comportamentos para reduzir a ansiedade ou para diminuir o mal-estar, provocado por uma obsessão, por forma a prevenir alguma circunstância que receia.

A Compulsão é um comportamento consciente e repetitivo que se utiliza para anular determinada obsessão. Exemplos disso são, o lavar as mãos frequentemente, verificar repetidamente se não esqueceu de fazer alguma coisa, voltar atrás para verificar se deixou o carro fechado, as luzes acesas, a torneira aberta. Estes comportamentos só são considerados compulsivos, se a pessoa tiver necessidade de os repetir inúmeras vezes para ter a certeza que fez o pretendido ou quando existe algum comportamento ritualizado sem razão aparente para existir, pode ser considerada Perturbação obsessivo-compulsiva, no caso de prejudicar vida da pessoa no dia-a-dia.

As obsessões tendem a aumentar a ansiedade, inversamente, a ansiedade diminui quando a pessoa realiza as compulsões. É por este motivo, que quando a pessoa não realiza a compulsão a sua ansiedade aumenta. Apesar da pessoa reconhecer que tanto a compulsão, como a obsessão são irracionais e que as mesmas fogem ao seu controlo e vontade, causam enorme sofrimento, influenciando a sua rotina, o seu trabalho e os seus relacionamentos interpessoais.

A compulsão cria atitudes e comportamentos conscientes, mas incontroláveis. A própria pessoa percebe que não têm sentido, no entanto, não os consegue controlar. Existem algumas compulsões em que a pessoa na presença de outras pessoas consegue ter esse controlo mas, quando está sozinha não. Muitas vezes a pessoa esconde as suas ideias ou comportamentos por vergonha e fica com receio de estar a ficar perturbada.

A Perturbação obsessivo-compulsiva pode desenvolver-se em crianças ou em adultos. Ocorre tanto em homens como em mulheres. Os sintomas podem permanecer durante muitos anos, alternando entre períodos de crise e períodos normais.

É uma das perturbações da ansiedade que causa desgaste físico, intelectual e emocional  mas, pode ser eliminada com uma intervenção precoce, no momento em que ocorrem os primeiros sintomas. Se suspeita que sofre de Perturbação obsessivo-compulsiva, não hesite em pedir ajuda, porque a perturbação obsessivo-compulsiva é progressiva. A psicoterapia é necessária e muitas vezes existe necessidade de recorrer a medicação. 

10 Indicadores de perturbação obsessiva-compulsiva

1.Verifica repetidamente aquilo que faz? Por exemplo volta atrás para verificar se deixou o carro fechado, as luzes desligadas ou alguma torneira aberta.

2.Habitualmente tem pensamentos insistentes, apesar de não existir motivo aparente?

3.Quando tem alguns pensamentos causam-lhe incómodo e por mais que deseje, não os consegue evitar?

4.Quando tem determinado pensamento, faz alguma coisa em particular para reduzir o incómodo sentido ou tem algum ritual especifico?

5.A sua ansiedade aumenta quando tem alguns pensamentos específicos?

6.Costuma repetir alguns comportamentos sem ter motivo aparente?

7.Tem rituais de higiene? Por exemplo, lava as mãos muitas vezes e sem necessidade.

8.Tem consciência que demora muito tempo a realizar as tarefas no seu dia-a-dia?

9.Tem necessidade de ter tudo organizado em casa e no trabalho?

10.Incomoda-o se os objetos não estão no lugar adequado e/ou em simetria?

Se respondeu afirmativamente a estas questões, procure ajuda especializada, porque pode estar a desenvolver uma perturbação obsessiva-compulsiva    

quarta-feira, 4 de março de 2015

O que Distingue um Amigo Verdadeiro



Não se pode ter muitos amigos. Mesmo que se queira, mesmo que se conheçam pessoas de quem apetece ser amiga, não se pode ter muitos amigos. Ou melhor: nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Ou melhor: amigo. A preocupação da alma e a ocupação do espaço, o tempo que se pode passar e a atenção que se pode dar — todas estas coisas são finitas e têm de ser partilhadas. Não chegam para mais de um, dois, três, quatro, cinco amigos. É preciso saber partilhar o que temos com eles e não se pode dividir uma coisa já de si pequena (nós) por muitas pessoas. 

Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. Pode custar-nos não ter tempo nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade. O que é bom sai caro. A tendência automática é para ter um máximo de amigos ou mesmo ser amigo de toda a gente. Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior. Não se pode ser amigo de todas as pessoas de que se gosta. Às vezes, para se ser amigo de alguém, chega a ser preciso ser-se inimigo de quem se gosta. 


Em Portugal, a amizade leva-se a sério e pratica-se bem. É uma coisa à qual se dedica tempo, nervosismo, exaltação. A amizade é vista, e é verdade, como o único sentimento indispensável. No entanto, existe uma mentalidade Speedy González, toda «Hey gringo, my friend», que vê em cada ser humano um «amigo». Todos conhecemos o género — é o «gajo porreiro», que se «dá bem com toda a gente». E o «amigalhaço». E tem, naturalmente, dezenas de amigos e de amigas, centenas de amiguinhos, camaradas, compinchas, cúmplices, correligionários, colegas e outras coisas começadas por c. 

Os amigalhaços são mais detestáveis que os piores inimigos. Os nossos inimigos, ao menos, não nos traem. Odeiam-nos lealmente. Mas um amigalhaço, que é amigo de muitos pares de inimigos e passa o tempo a tentar conciliar posições e personalidades irreconciliáveis, é sempre um traidor. Para mais, pífio e arrependido. Para se ser um bom amigo, têm de herdar-se, de coração inteiro, os amigos e os inimigos da outra pessoa. E fácil estar sempre do lado de quem se julga ter razão. O que distingue um amigo verdadeiro é ser capaz de estar ao nosso lado quando nós não temos razão. O amigalhaço, em contrapartida, é o modelo mais mole e vira-casacas da moderação. Diz: «Eu sou muito amigo dele, mas tenho de reconhecer que ele é um sacana.»

Como se pode ser amigo de um sacana? Os amigos são, por definição, as melhores pessoas do mundo, as mais interessantes e as mais geniais. Os amigos não podem ser maus. A lealdade é a qualidade mais importante de uma amizade. E claro que é difícil ser inteiramente leal, mas tem de se ser. 

Miguel Esteves Cardoso, in 'Os Meus Problemas'

segunda-feira, 2 de março de 2015

O que é um déjá vu?

Quantos já o experienciaram?


Déjà vu, significa “já visto”, em francês. É a sensação que temos perante uma situação especifica, como se já a tivéssemos vivido, só que numa vivência passada. Muito se tem falado sobre o tema, mas até ao momento, não existe nenhum estudo que demonstre verdadeiramente, qual o motivo para que este fenómeno estranho aconteça, existem no entanto algumas teorias seguidamente abordadas.

Existe quem atribua a este fenómeno um significado místico ou sobrenatural. No entanto, os cientistas questionam se essa sensação estranha não será uma característica psicológica, uma reação neurológica ou uma confusão da mente.

A religião budista, encaram o déjà vu, como sendo o resultado da conexão do cérebro com lembranças ocorridas não só na vida actual das pessoas, como nas vidas anteriores, resultantes de outras encarnações.


Alguns cientistas franceses, afirmam que o déjà vu é o resultado de estímulos elétricos no lóbulo temporal, muito frequente em pessoas com distúrbios neurológicos, como a epilepsia.


A revista New Scientist, em 2007 publicou um estudo feito por cientistas da Universidade de Leed, referindo que o déjà vu, é uma reação natural do cérebro perante estímulos externos. Pelo facto do cérebro humano apresentar sequência de registos infinita, e que ao serem processadas pelas pessoas perante um determinado estímulo externo, tais como, olfativas, auditivas, visuais, sensações, entre outros. Geralmente, no momento em que há um estímulo externo, o cérebro relaciona-o com os registos conscientes da memória. 

Este mesmo estudo, refere que no caso dessa relação não ser possível, o cérebro procura a relações dos estímulos externos com registos de memória reunidos pela pessoa de forma inconsciente. Como consequência, a pessoa experimenta essa sensação de um déjà vu.

Medicamentos para acordar e para dormir



Quando as pessoas dizem que se sentem mal, que é cada vez mais difícil levantar da cama pela manhã, que passam o dia com raiva ou com vontade de chorar, que sofrem com ansiedade e que à noite têm dificuldade para dormir, não me parece que essas pessoas estão doentes ou expressam qualquer tipo de anomalia. Ao contrário. Neste mundo, sentir-se mal pode ser um sinal claro de excelente saúde mental. Quem está feliz e saltitante como um carneiro de desenho animado é que talvez tenha sérios problemas. É com estes que deveria soar uma sirene e por estes que os psiquiatras maníacos por medicação deveriam se mobilizar, disparando não pílulas, mas joelhaços como os do Analista de Bagé, do tipo “acorda e se liga”. É preciso se desconectar totalmente da realidade para não ser afetado por esse mundo que ajudamos a criar e que nos violenta. Não acho que os felizes e saltitantes sejam mais reais do que o Papai Noel e todas as suas renas, mas, se existissem, seriam estes os alienados mentais do nosso tempo.

Olho ao redor e não todos, mas quase, usam algum tipo de medicamento psíquico. Para dormir, para acordar, para ficar menos ansioso, para chorar menos, para conseguir trabalhar, para ser “produtivo”. “Para dar conta”, é uma expressão usual. Mas será que temos de dar conta do que não é possível dar conta? Será que somos obrigados a nos submeter a uma vida que vaza e a uma lógica que nos coisifica porque nos deixamos coisificar? Será que não dar conta é justamente o que precisa ser escutado, é nossa porção ainda viva gritando que algo está muito errado no nosso cotidiano de zumbi? E que é preciso romper e não se adequar a um tempo cada vez mais acelerado e a uma vida não humana, pela qual nos arrastamos com nossos olhos mortos, consumindo pílulas de regulação do humor e engolindo diagnósticos de patologias cada vez mais mirabolantes? E consumindo e engolindo produtos e imagens, produtos e imagens, produtos e imagens?

A resposta não está dada. Se estivesse, não seria uma resposta, mas um dogma. Mas, se a resposta é uma construção de cada um, talvez nesse momento seja também uma construção coletiva, na medida em que parece ser um fenômeno de massa. Ou, para os que medem tudo pela inscrição na saúde, uma das marcas da nossa época, estaríamos diante de uma pandemia de mal-estar. Quero aqui defender o mal-estar. Não como se ele fosse um vírus, um alienígena, um algo que não deveria estar ali, e portanto tornar-se-ia imperativo silenciá-lo. Defendo o mal-estar – o seu, o meu, o nosso – como aquilo que desde as cavernas nos mantém vivos e fez do homo sapiens uma espécie altamente adaptada – ainda que destrutiva e, nos últimos séculos, também autodestrutiva. É o mal-estar que nos diz que algo está errado e é preciso se mover. Não como um gesto fácil, um preceito de autoajuda, mas como uma troca de posição, o que custa, demora e exige os nossos melhores esforços. Exige que, pela manhã, a gente não apenas acorde, mas desperte.

Por Eliane Brum

Perder 10 quilos num ano - Relação entre comportamento e peso


Quer perder 10 quilos num ano sem andar obcecado com calorias, açucares e gorduras? Conheça a nova teoria

Brian Wansink é nutricionista e economista do comportamento. Dirige o Laboratório Food and Brand, da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, e diz que os seus colaboradores perdem em média 10 quilos só no primeiro ano de trabalho ao pôr em prática o que descobrem nas investigações. Wansink começou a investigar a relação entre comportamento, marketing e peso em 1987 e é o mentor de conceitos como as doses individuais de chocolates e cereais, que diz induzirem as pessoas a comer menos sem darem por isso – o segredo da sua dieta. Publicou agora um manual com dicas para um estilo de vida mais amigo da linha, inspirado nos “hábitos inconscientes” das pessoas mais magras, que tem vindo a observar. O especialista em comportamento alimentar defende que a maioria das pessoas conseguem perder peso sem terem de viver angustiadas por não poderem comer chocolate e batatas fritas. Bastam truques simples, como torná-los menos visíveis ou um makeover na cozinha: eliminar bolachas e cereais da bancada e mudar a forma como habitualmente serve as refeições. Mas há muito mais dicas, da maneira como escolhemos a mesa do restaurante às compras no supermercado. Lemos “Slim by Design” e aqui ficam as sugestões.
COZINHA
• Opte por paredes de cor neutra, nem muito clara nem muito escura
• Mantenha a bancada limpa e sem pão, cereais, bolachas, doces, frutos secos ou batatas fritas à vista. O único alimento permitido é fruta, de preferência uma taça com dois ou mais tipos e numa zona de passagem frequente
• Guarde chocolates e outros snacks mais calóricos em armários com portas opacas e que não sejam os mais acessíveis da cozinha, da mesma forma que esconde os detergentes das crianças.

FRIGORÍFICO

• Guarde os restos de alimentos calóricos em caixas opacas ou embrulhados em papel de alumínio e os mais saudáveis em película e caixas transparentes
• Guarde as sobremesas nas gavetas inferiores, onde geralmente punha os vegetais
• Tenha sempre iogurtes magros e outros snacks poucos calóricos à vista
• Não guarde garrafas ou pacotes de bebidas no frigorífico sem ser leite ou água.

LOIÇA

• Use pratos de até 25 centímetros de diâmetro e com um rebordo colorido
• Evite loiça branca ou bege e tenha alguns pratos escuros
• Opte por taças de até meio litro de capacidade
• Use copos de 25cl para sumos e inferiores a 0,35cl para as restantes bebidas. Copos maiores só para água.

À MESA

• Se houver televisão deve estar desligada. Tendemos a comer ao ritmo do programa
• Siga a regra do meio prato – encha pelo menos metade com salada, vegetais ou fruta
• As crianças até aos 12 anos devem comer com pratos e tigelas mais pequenos que os pais
• Comece por servir salada e vegetais. As travessas ou taças com estes alimentos devem ser as únicas na mesa. O resto da refeição deve ser servida no fogão ou na bancada
• Sirva-se com colheres de sopa ou mais pequenas
• Todas as refeições devem ter um copo de água
• Refrigerantes e vinho não devem estar na mesa e o vinho deve ser servido em copos de vinho branco
• A iluminação deve estar regulada para uma intensidade média
• Pouse os talheres entre garfadas para comer mais devagar ou experimente usar pauzinhos.

NA SALA DE ESTAR

• Deve ter sempre uma garrafa de água disponível e copos à mão
• Os snacks – sejam bombons sejam frutos secos – devem estar pelo menos a dois metros do sofá ou do sítio onde se senta
• Se quer petiscar, deve servir-se em taças e não comer directamente do pacote ou da embalagem. Opte por servir uma tigela ou recipiente do tamanho de um copo pequeno de gelado
• Se está a comer doces, deve manter as embalagens à vista enquanto come, para não perder a noção da quantidade ingerida.

NO RESTAURANTE

• Sente-se longe do buffet e de preferência de costas voltadas para a comida. Se é o dono, experimente pôr plantas a tapar a vista das mesas para o buffet e dê pratos pequenos
• Escolha um lugar perto da janela e da saída. Quem se senta mais longe pede mais vezes sobremesa
• Opte por mesas com cadeiras elevadas, menos confortáveis
• Peça meia dose de entrada e sobremesa e coma apenas duas porções daquilo que gosta muito
• Em vez de comer tudo até ao fim, não se acanhe e peça um recipiente para levar as sobras para casa.

NAS COMPRAS

• Faça um snack saudável antes de ir ao supermercado ou à mercearia
• Mastigue pastilha elástica – vai impedi-lo de imaginar o sabor das batatas fritas e bolachas. Pastilhas de menta e sem açúcar são as que funcionam melhor
• Comece pelos corredores saudáveis
• Divida o carrinho de compras e reserve metade do espaço para fruta e vegetais. Ao fazer compras, a maioria das pessoas só ocupa 24% do carrinho com frutas e vegetais e se interiorizar esta regra vai levar mais verduras para casa
• Opte por pagar em caixas sem guloseimas. Se não existirem, faça essa sugestão ao gerente.

NO TRABALHO

• Leve almoço de casa, planeando as refeições antes de ter fome
• Coma com colegas e não sozinho, muito menos à secretária
• Sente-se para comer já com uma peça de fruta para sobremesa
• Se tiver snacks na sala de trabalho ou na secretária, certifique-se de que estão a pelo menos dois metros de si ou escondidos nas gavetas
• Na cantina ou no restaurante, use sempre tabuleiro, de preferência pequeno. Sem tabuleiro, 62% das pessoas não comem salada
• Sugira ao patrão um programa de bem-estar, por exemplo descontos em ginásio. Reduz o absentismo e os custos de saúde até 30% 
• Livre-se da televisão e de cadeiras confortáveis
• Guarde fruta e vegetais pré-fatiados à vista na prateleira do meio.




Por  Marta F. Reis,  in Jornal I


domingo, 1 de março de 2015

5 fases - Processo de luto


No processo de luto existem 5 fases: 

Cada fase não tem um tempo predefinido, depende do tipo relação afectiva que existe com a pessoa que morre. A fase da depressão é a que leva mais tempo, podendo demorar muito tempo,  a pessoa pode nunca conseguir chegar à fase de aceitação.

1. Negação: Depende da forma como a pessoa lida com o sofrimento, é um mecanismo de defesa temporário do ego, na presença de sofrimento psicológico perante a morte. É o momento em que achamos impossível aquela pessoa ter morrido, é o momento em não queremos acreditar que ficamos sem a sua presença na nossa vida.

2. Raiva: A pessoa pode sentir raiva por aquilo que aconteceu. Apresenta muitas vezes pensamentos, do tipo, porque é que tinha de acontecer, logo a mim! As suas relações interpessoais tornam-se muitas vezes conflituosas, surgindo ressentimentos, sentimentos de inveja e revolta. Nessa altura é difícil acreditar no afecto ou nas palavras de conforto demonstradas pelos outros.

3. Negociação: Após ultrapassada a fase anterior, a pessoa começa a colocar a hipótese da perda da pessoa. Faz muitas vezes promessas e sacrifícios para que o sucedido não seja verdade. Elabora tentativas de gerir as emoções ou até culpar alguém pela sua morte. 

4. Depressão: Sentimentos de desesperança, tristeza, culpa e medos são frequentes. A pessoa toma consciência de que a morte daquela pessoa é incontornável. Existe necessidade de isolamento e introspecção, para a pessoa tenha consciência do ocorrido. Nesta fase, já não consegue negar a realidade presente. É quando sente verdadeiramente sentimentos de perda. 

5. Aceitação: Fase em que pessoa já não nega o que aconteceu e, a morte da pessoa é aceite com consciência e serenidade. É importante que a pessoa chegue a esta fase de aceitação, individualmente ou com apoio psicológico. Contudo, ao aceitar não significa que a pessoa consiga sentir-se feliz. 

Estas fases podem não surgir nesta ordem e, nem todas as pessoas os experienciam todas as fases, mas em casos de perda passamos pelo menos por duas fases.

É um processo acompanhado por um misto de sentimentos, tais como, ansiedade, tristeza, culpa, raiva, solidão, fadiga…


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Ideal é dormir menos de 8 horas


Dormir mais de oito horas diárias pode ser mais prejudicial à saúde do que dormir pouco.
As pessoas que dormem mais do que oito horas e menos do que seis apresentam maior risco de desenvolver problemas como pressão alta, diabetes e complicações cardiovasculares.

Houve cerca de 34 pesquisas - estudos epidemiológicos, que envolveram mais de dois milhões de pessoas, apresentam existe uma relação entre a duração do sono e mortalidade.

Quando dormimos menos do que sete horas ou mais do que sete, há um aumento gradual no risco de mortalidade, com as pessoas que dormem mais a apresentarem um aumento maior no risco de morte do que as pessoas que dormem menos que esse tempo.

Gregg Jacobs, especialista do Centro de Transtornos do Sono da Faculdade de Medicina da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, descreve que de acordo com vários estudos publicados durante os últimos anos, verificou inequivocamente que dormir oito horas não é o melhor para se manter saudável.

Refere que o nível mais baixo de mortalidade corresponde a sete horas de sono, sendo prejudicial dormir mais do que esse número de horas.

Se dorme mais do que oito horas ou menos do que seis, terá um grande aumento do que estimamos ser o risco de desenvolver problemas de saúde ou morrer mais cedo. Afirma o professor de medicina cardiovascular e epidemiologia na Universidade de Warwick, no Reino Unido - Frank Cappuccio.


* Notícia publicada pela BBC Brasil, com base em estudos científicos