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domingo, 29 de março de 2015

Qual a razão de repetir os mesmos erros?



Não há coincidências!

As pessoas muitas vezes, cometem os mesmos erros, têm as mesmas atitudes e, como consequência obtém sempre resultados semelhantes. Acontece geralmente, porque não analisam os seus comportamentos ou por culpabilizarem alguém pelo que lhes acontece.

A única forma de mudar os resultados, sobrevém, no momento em que a pessoa modifica a sua forma de agir. Mas, como as atitudes são difíceis de mudar, continua a persistir o desejo de obter resultados diferentes, mesmo sem alterar qualquer tipo de atitude para que seja possível acontecer.

Enquanto mantiver as mesmas escolhas e opiniões, como pode haver mudança?

Pensa muitas vezes, em mudar de cidade, emprego, casa, amigos e até de relação, mas isso não muda nada, se mantém sempre comportamentos semelhantes. Todas as mudanças que pense efetuar, nunca serão suficientes para terminar com este ciclo de situações desagradáveis e deixar de sentir o mesmo tipo de frustrações.

O que se pode fazer para acabar com este ciclo interminável?

Primeiro é necessário ter consciência que todas as situações semelhantes que lhe acontecem são da sua inteira responsabilidade. É evidente que algumas podem derivar de fatores externos, mas quando existem tantas ocorrências semelhantes, as mesmas, só permanecem, por causa das suas emoções e do seu comportamento que são responsáveis por essas consequências.

As emoções do seu mundo interno, constituem um obstáculo para conseguir tomar melhores decisões e, deixar de cometer sempre os mesmos erros. Estas emoções têm origem em pensamentos como, eu merecia um emprego melhor, uma casa melhor, uma relação mais saudável…ou qualquer outo tipo de desejo que se manifesta para suavizar a sensação de desconforto ou de angústia. No entanto, mesmo pensando desta forma, nada acontece e o ciclo repete-se: Fantasia o desejo e sente algum alívio imediato, mas a culpa reaparece. Os sentimentos de fracasso, diminuem a autoestima e, a pessoa entra num processo de sofrimento, com tendência para se isolar, como consequência da sua sensação de impotência.

Desenvolver capacidade de antecipação, de traçar projetos, de alcançar objetivos ou de resolver problemas e sentir realização pessoal, só depende de si, da forma como se vê e, da sua construção interna de ver o mundo. Na maior parte das vezes, estão condicionadas desde a infância. Sendo em grande parte, todos esses pensamentos enraizados que provocam, as emoções atuais e que originam o mesmo tipo de comportamentos, por se terem tornado hábitos.

Os pensamentos que conduzem aos mesmos resultados, são sempre idênticos em situações semelhantes.

É este ciclo de ideias recalcadas que constituem o impedimento para conseguir alcançar novas tomadas de decisão. É por este motivo, que apesar da pessoa sentir que precisa de fazer mudanças, de fazer novas escolhas ou de inovar em qualquer área, termina quase sempre a cometer os mesmos erros, a ter as mesmas atitudes e as mesmas reações. É isto que gera bloqueio, impeditivo do progresso e da realização, não só pessoal, mas também relacional e profissional.

Só quando conseguir alcançar, autoconsciência dos motivos que a estão a impedir, de ultrapassar as dificuldades, seja em que área for, é que pode ser possível, aprender novas formas para alcançar o desejado e obter novos resultados.

Como é possível adquirir isso?

No momento em que se reaprende a identificar as emoções, tais como, o receio de sofrer ou de enfrentar desafios. Quando deixar de ser resistente à mudança que impede a pessoa, de criar novos hábitos e de saber lidar com a incerteza. Mas tudo isto, só é possível, na altura em que a pessoa, consegue sair da sua zona de conforto.

Se não está a conseguir sozinho as mudanças desejadas, procure ajuda profissional para iniciar a sua transformação. A psicoterapia, permite à pessoa analisar e repensar as suas dificuldades emocionais, permitindo-lhe redescobrir a capacidade para lidar com os problemas e encontrar a melhor forma de os resolver. O processo psicoterapêutico faculta-lhe melhor compreensão das situações e a ter consciência das suas emoções, por forma a conseguir realizar as mudanças pretendidas.

sábado, 28 de março de 2015

O que é a dependência emocional?

A dependência emocional é uma condição emocional ou comportamental que afeta a capacidade da pessoa para ter um relacionamento saudável e satisfatório.

A dependência emocional tem consequências negativas, não só para a pessoa, como também para as pessoas que convivem com ela. Este tipo de relação ocorre quando a pessoa é controlada ou manipulada por outra, em que está implícita uma relação patológica.

A pessoa por causa da sua grande necessidade de aprovação, desenvolvem Perturbação de Personalidade Dependente – PPD, tenta agradar sempre aos outros. Assim, não é de estranhar que sintam enorme frustração, por sentirem obrigação em fazer coisas que não querem e por não conseguirem expressar seus sentimentos.

Existe uma necessidade difusa e excessiva de ser cuidado que gera comportamentos de submissão e apego, surge no início da vida adulta e está presente em vários contextos. Neste sentido, a dependência emocional pode ser considerada patológica, quando apresenta , 5 ou ou mais critérios segundo o DSM-5, tais como:

1) Apresenta dificuldades em tomar decisões no dia-a-dia, recorrendo a excessivos conselhos dos outros.

2) Necessita que as outras pessoas assumam responsabilidade pelas principais áreas da sua vida.

3) Manifestar dificuldade em discordar das outras pessoas, devido ao medo de perder o seu apoio ou aprovação.

4) Mostra dificuldade em iniciar um projeto ou em realizar tarefas por si própria, devido a falta de autoconfiança nas suas capacidades. Não está relacionada com falta de motivação ou energia.

5) Recorre a comportamentos ou atitudes extremas, só para obter carinho e apoio das outras pessoas, a ponto de se oferecer a fazer coisas desagradáveis.

6) Sente desconforto ou desamparo, quando está sozinho devido ao medo exagerado de ser incapaz de cuidar de si mesmo.

7) Procura rapidamente um relacionamento como fonte de cuidado e amparo, após finalizar um relacionamento íntimo. 

8) Apresenta preocupações irreais com medo de ser abandonado e de ficar sozinho.

6 Sugestões para ser menos dependente

1)Tomar Consciência da dependência emocional.
É o primeiro passo para começar a ultrapassar essa dependência. Sem ter consciência do que acontece consigo, o seu comportamento continua a ser igual e o sofrimento permanece. Devendo desenvolver melhor autoestima.
2) Revalorização
Reconheça o seu próprio valor que pode ser alcançada focalizando-se em pensamentos positivos sobre si mesma, fazendo actividades que a contribuam para se sentir bem, analisando não só as suas limitações, mas também as suas qualidades, aceitando as consequências das suas decisões e estabelecendo objetivos.
3)Identifique as suas necessidades emocionais.
Tente perceber quais são as suas necessidades emocionais. Pode pedir opinião de várias pessoas para descobrir o seu caminho, mas a decisão a responsabilidade da escolha devem ser suas.
4) Aprenda a desenvolver melhor autocontrolo.
Esta aprendizagem requer, envolvimento das suas emoções e atitudes. Acontecem frequentemente situações incontroláveis, sendo necessário ter consciência do que pode ou não controlar. Evitar sempre que as outras pessoas controlem o que deve fazer.
5)Procure desenvolver uma rede sólida de relações. É importante manter contato frequente com amigos e familiares. Evite isolar-se ou viver em função de uma pessoa. 
6) Evite condicionar o que deseja em função de uma pessoa. Em cada um de nós existem necessidades específicas que só são importantes para essa pessoa. Assim, é necessário saber o que deseja para si, devendo alcançar o que a faz feliz independente da vontade dos outros. É necessário reconhecer as suas próprias necessidades, mesmo quando mantém um relacionamento.

Tratamentos
É importante recorrer a ajuda para que a pessoa, consiga melhorar autoconfiança e aumentar a autoestima, por forma a exprimir-se melhor, identificar os seus desejos e necessidades e evitar que sofra de abusos psicológicos ou de violência.

Psicoterapia - Este acompanhamento ajuda a pessoa a compreender as causas dos seus medos, a desenvolver assertividade e as suas competências sociais, tais como:
·Evitar que recorra sempre à opinião de terceiros para decidir;
·Aumentar a capacidade de assumir compromissos;
·Aprender a aceitar as críticas;
·Conseguir melhorar as atitudes e minimizar os receios;
·Melhorar as suas relações interpessoais;
·Encontrar mais prazer na intimidade.

Medicamentos - O uso de medicamentos são pouco eficazes na mudança de comportamento da pessoa com PPD a longo prazo. No entanto e sempre por curtos períodos, a medicação pode minimizar alguns sintomas, em caso de disforia (falta de energia extrema), ansiedade ou depressão. Mas a dependência de medicamentos não proporciona recursos para a pessoa aprender a lidar com as características inerentes da dependência emocional.

terça-feira, 24 de março de 2015

É necessário encerrar ciclos



É preciso saber sempre quando uma etapa chega ao fim. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. 

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação?
 Deixou a casa dos pais? Partiu para viver noutro país? 
Uma amizade antiga terminou sem explicações? 

Pode passar muito tempo a perguntar-se porque aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais nenhum passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas na sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: os seus pais, o seu marido ou sua esposa, os seus amigos, os seus filhos, a sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo em frente, e todos sofrerão ao ver-te parado.
 

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem connosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente crianças, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia numa ligação com uma pessoa que já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para instituições, vender ou doar os seus livros. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está a acontecer no nosso coração - e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras fiquem no seu lugar.
 

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está a  jogar nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram o seu génio, que entendam o seu amor. Pare de ligar a sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como sofreu com determinada perda: isso estará apenas a envenená-lo, e nada mais.

Não há nada mais perigoso do que não aceitar o fim dos relacionamentos amorosos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que são sempre adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.
 

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e transforme-se em quem é.


Texto de Gloria Hurtado, adaptado por Maria Pascoal psicóloga clínica

segunda-feira, 23 de março de 2015

8 Sintomas de depressão


Nem sempre a pessoa que sofre de depressão ou os seus familiares reconhecem os sintomas desta doença. Esta situação pode acontecer, porque se manifesta de forma diferente de pessoa para pessoa ou por existir alguma dificuldade na identificação dos sintomas implícitos.

1. A pessoa pode não parecer deprimida

Muitas vezes as pessoas deprimidas, conseguem esconder dos outros os sintomas de depressão, como forma de autoproteção. As pessoas usam capas para camuflar o que sentem, querem mostrar aos outros que está tudo bem, mas por trás desse disfarce existe muito sofrimento.

2. Queixas de cansaço frequentes
Um dos sintomas de depressão é o cansaço constante. A sua causa parece ser desconhecida. A pessoa deprimida pode dormir o suficiente, mas acorda quase sempre cansada, explicando a sua falta de energia, por cansaço acumulado ou por características pessoais. Apesar de ser comum, não se manifesta em todas as pessoas.
O reflexo da falta de energia, influência a motivação para interações sociais e provoca diminuição de produtividade. 

3. Irritabilidade constante
O comportamento de uma pessoa deprimida, pode ser associada a sinais de tristeza. Acontece que a pessoa além de triste, fica frequentemente irritada. 

4. Alterações de humor frequentes
As mudanças de humor constantes, são um sinal de depressão em muitas pessoas.

5. Evita manifestações de afeto e impede que as pessoas se preocupem Nem sempre a depressão gera só sentimentos de tristeza e irritabilidade, em muitos casos, a pessoa parece que não sente nada, em relação ao que se passa à sua volta, como se tudo lhe fosse emocionalmente indiferente. Mostra pouco interesse por reações afetivas, tendo dificuldade em lidar com as mesmas.

6. Evita atividades que antes apreciava
Pode ser sinal de depressão se persistir por um longo período de tempo. Este indício pode estar relacionado, com a falta de energia ou porque a pessoa já não consegue retirar prazer dessa atividade.

7. Mudança de hábitos alimentares A pessoa deprimida preocupa-se pouco consigo, pode comer em excesso ou ter pouco apetite. Comer pouco é normal, porque a depressão diminui o apetite, mas pode comer em excesso, por ser uma forma de sentir algum prazer.

8. A capacidade para fazer as tarefas é mais limitada
Sente grande dificuldade em fazer as tarefas habituais. Confrontar a pessoa deprimida com esta situação não a ajuda, só contribui para que se sinta pior, ao ficar magoada com as críticas.

A dificuldade em identificar os sinais, impede muitas vezes a procura de ajuda profissional para realizar o diagnóstico. Mesmo depois de ser diagnosticada, a pessoa pode recusar-se a admitir que sofre de depressão.


Compartilhe este artigo, pode fazer diferença na vida de alguém!

segunda-feira, 2 de março de 2015

O que é um déjá vu?

Quantos já o experienciaram?


Déjà vu, significa “já visto”, em francês. É a sensação que temos perante uma situação especifica, como se já a tivéssemos vivido, só que numa vivência passada. Muito se tem falado sobre o tema, mas até ao momento, não existe nenhum estudo que demonstre verdadeiramente, qual o motivo para que este fenómeno estranho aconteça, existem no entanto algumas teorias seguidamente abordadas.

Existe quem atribua a este fenómeno um significado místico ou sobrenatural. No entanto, os cientistas questionam se essa sensação estranha não será uma característica psicológica, uma reação neurológica ou uma confusão da mente.

A religião budista, encaram o déjà vu, como sendo o resultado da conexão do cérebro com lembranças ocorridas não só na vida actual das pessoas, como nas vidas anteriores, resultantes de outras encarnações.


Alguns cientistas franceses, afirmam que o déjà vu é o resultado de estímulos elétricos no lóbulo temporal, muito frequente em pessoas com distúrbios neurológicos, como a epilepsia.


A revista New Scientist, em 2007 publicou um estudo feito por cientistas da Universidade de Leed, referindo que o déjà vu, é uma reação natural do cérebro perante estímulos externos. Pelo facto do cérebro humano apresentar sequência de registos infinita, e que ao serem processadas pelas pessoas perante um determinado estímulo externo, tais como, olfativas, auditivas, visuais, sensações, entre outros. Geralmente, no momento em que há um estímulo externo, o cérebro relaciona-o com os registos conscientes da memória. 

Este mesmo estudo, refere que no caso dessa relação não ser possível, o cérebro procura a relações dos estímulos externos com registos de memória reunidos pela pessoa de forma inconsciente. Como consequência, a pessoa experimenta essa sensação de um déjà vu.

domingo, 1 de março de 2015

5 fases - Processo de luto


No processo de luto existem 5 fases: 

Cada fase não tem um tempo predefinido, depende do tipo relação afectiva que existe com a pessoa que morre. A fase da depressão é a que leva mais tempo, podendo demorar muito tempo,  a pessoa pode nunca conseguir chegar à fase de aceitação.

1. Negação: Depende da forma como a pessoa lida com o sofrimento, é um mecanismo de defesa temporário do ego, na presença de sofrimento psicológico perante a morte. É o momento em que achamos impossível aquela pessoa ter morrido, é o momento em não queremos acreditar que ficamos sem a sua presença na nossa vida.

2. Raiva: A pessoa pode sentir raiva por aquilo que aconteceu. Apresenta muitas vezes pensamentos, do tipo, porque é que tinha de acontecer, logo a mim! As suas relações interpessoais tornam-se muitas vezes conflituosas, surgindo ressentimentos, sentimentos de inveja e revolta. Nessa altura é difícil acreditar no afecto ou nas palavras de conforto demonstradas pelos outros.

3. Negociação: Após ultrapassada a fase anterior, a pessoa começa a colocar a hipótese da perda da pessoa. Faz muitas vezes promessas e sacrifícios para que o sucedido não seja verdade. Elabora tentativas de gerir as emoções ou até culpar alguém pela sua morte. 

4. Depressão: Sentimentos de desesperança, tristeza, culpa e medos são frequentes. A pessoa toma consciência de que a morte daquela pessoa é incontornável. Existe necessidade de isolamento e introspecção, para a pessoa tenha consciência do ocorrido. Nesta fase, já não consegue negar a realidade presente. É quando sente verdadeiramente sentimentos de perda. 

5. Aceitação: Fase em que pessoa já não nega o que aconteceu e, a morte da pessoa é aceite com consciência e serenidade. É importante que a pessoa chegue a esta fase de aceitação, individualmente ou com apoio psicológico. Contudo, ao aceitar não significa que a pessoa consiga sentir-se feliz. 

Estas fases podem não surgir nesta ordem e, nem todas as pessoas os experienciam todas as fases, mas em casos de perda passamos pelo menos por duas fases.

É um processo acompanhado por um misto de sentimentos, tais como, ansiedade, tristeza, culpa, raiva, solidão, fadiga…


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O que é o stress - como eliminá-lo?



Uma expressão muito utilizada nos dias de hoje, sendo uma das doenças mais graves na sociedade em que vivemos. Mas é importante referir que o stress é uma das funções vitais do organismo.

O stress é uma indicação de alarme do nosso organismo perante o perigo, no qual as glândulas supra-renais aumentam a produção de adrenalina que provoca a contração dos músculos e reduz os tempos de reação, essencial para a sobrevivência.

Quando os acontecimentos que geram stress permanecem, a pessoa sente mal-estar e cansaço físico que afectam a sua saúde. Os sintomas de stress são muitos e diversificados e no começo podem parecer benignos, mas se não forem diagnosticados e tratados, prejudicam gravemente a saúde.

Como perceber se sofre de stress?

É essencial perceber os sinais característicos do stress, em si próprio e no ambiente em que vive.

Cansaço – Sensação de ao acordar, de sentir que não descansou o suficiente. Este sintoma não deve ser negligenciado.

Relações interpessoais difíceis A pessoa sente pouca tolerância no contacto com as outras pessoas, evita estar com os amigos, mas sente-se só. Os seus relacionamentos vão-se tornando pouco saudáveis.

Desânimo  A pessoa tem dificuldade em enfrentar as situações do dia-a-dia, não consegue resolver os problemas e muitas vezes tenta, mas não consegue sair da situação em que se encontra.
Sente-se desanimada ao lidar com qualquer obstáculo, tem atitudes que não eram habituais. Não tem iniciativa para nada e tenta evitar qualquer situação frustrante, como tal, esquiva-se de tudo o que a possa conduzir a uma contrariedade, isolando-se cada vez mais, o que só vai agravando o seu estado depressivo.

Causas do stress:

*A pessoa sente uma sensação de impotência perante determinadas adversidades, os conflitos com as pessoas à sua volta começam a ser frequentes;

*Vai acumulando as coisas que tem para fazer, seja por sentir cansaço ou pela pouca motivação para fazer tarefas. Consequentemente, vai-se sentindo impotente, por não conseguir dar conta de tudo o que tem para fazer.

Sintomas e consequências:

Insónia; dores de cabeça frequentes; problemas gástricos; ansiedade, tristeza; maior transpiração; impotência sexual; asma, ataques de pânico, depressão...


3 Formas de reduzir o stress

1.Consciencialização – Estar atenta aos sinais de alarme que o corpo transmite é importante, por forma a evitar que os sintomas do stress aumentem. É essencial compreender o que está acontecer na vida da pessoa, para poder perceber o que está a causar esses os sintomas.
Esta tomada de consciência permite a analisar a situação e manter o foco na eliminação dos estímulos causadores de pressão e arranjar estratégias para que se possa diminui-los.

2.Analisar a situação – Perceber quais as situações que contribuem para  elevar o nível stress e atuar na redução dos sintomas.

3.Compensação – Avaliar o estilo de vida da pessoa para modificar os pensamentos e atitudes que estão a desencadear stress.

Realizar um diagnóstico é importante, quando não se está a controlar os sintomas, porque o nível de stress vai aumentando sem parar, sem retrocessos se a pessoa não fizer nada para mudar ou não procurar tratamento. Irá sentir-se cada vez pior e, o seu estado piorará ao longo dos dias. Quanto mais tempo deixar andar, mais difícil é conseguir ultrapassar a situação em que se encontra.

Analisar quais foram os acontecimentos que contribuíram para o seu estado de stress, é a primeira etapa, para que seja reposto o bem-estar. 

É necessário que a pessoa procure acompanhamento quando apresenta alguns destes sintomas físicos há pelos menos 3 meses. 
As queixas não devem ser negligenciadas, porque se não forem eliminadas podem dar origem a doenças. Deve prevenir em vez de remediar.




Burnout é um conjunto de sintomas que estão relacionados com o excesso de trabalho.

Sintomas frequentes:
Problemas digestivos; dores de cabeça; insónias; tristeza; desmotivação laboral e depressão.

Como prevenir - Burnout?

*Passe mais tempo com as pessoas efectivamente significativas;

*Fale dos seus problemas a alguém da sua confiança;

*Inscreva-se em actividades que goste;

*Hábitos de alimentação saudáveis;

*Faça exercício físico com regularidade, incluindo alguns de relaxamento;

*Estabeleça prioridades na organização de tarefas para não criar expectativas irrealistas;Chegar ao estado de Burnout é sentir tensão emocional e stress profissional crónicos.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Aprender a Ser mais Feliz


É impossível querer possuir em todos os momentos estabilidade interior, porque umas vezes sentimos equilíbrio, outras desequilíbrio, esta inconstância é permanente e normal.

As pessoas não conseguem manter sempre as mesmas emoções, isto é, umas vezes sentem-se tristes, ansiosas, agitadas, outras vezes, contentes e tranquilas. As nossas emoções são dinâmicas. Precisamos de encontrar equilíbrio interior, mas devemos considerar normal todas as alterações de humor, se as mesmas não oscilarem frequentemente.

As características pessoais têm uma força determinante na constância das emoções. O ser humano é muito complexo e muitas vezes sem termos consciência do que aconteceu, tanto os sentimentos como o humor, alteram-se.

É importante desenvolver autoconsciência para sabermos quem somos, como funcionamos e como nos relacionamos. Assim, aprendemos a lidar melhor com as nossas fragilidades, quer sejam causadas por fatores internos ou externos presentes na dinâmica existencial.

Desenvolver autoconhecimento, isto é, conhecer as nossas características, qualidades, imperfeições, torna-nos menos vulneráveis, sofremos menos, contribui para o nosso bem estar e para construir relacionamentos mais harmoniosos. As oscilações de humor são menos frequentes, conseguindo a estabilidade emocional desejada.

As dificuldades nunca terminam, a forma de as encarar e ultrapassar é que pode ser diferente em função da nossa estrutura pessoal. Aceitar correr alguns riscos é saudável, faz-nos crescer interiormente e com melhor consciência do que somos, podemos evitar alguns dissabores, outros porém, são imprevisíveis. Quando os problemas aparecem têm de ser resolvidos e não contornados.

A melhor maneira de enfrentar as dificuldades, é no momento em que se aprende a lidar melhor com as emoções e quando se tem consciência de quem somos, sem esquecer de retirar alguma aprendizagem com os erros cometidos. Se não existir essa aprendizagem sofremos continuamente, cometemos repetidamente os mesmos erros e esse sofrimento é desnecessário.

Os obstáculos são superados com maior tranquilidade, quando existe melhor consciência de quem se é, aprende-se também a ser mais feliz.

Conseguir ser mais feliz é ter a capacidade de retirar conhecimento dos momentos de fracasso.








Medo de Intimidade



A partilha de intimidade aproxima as pessoas

A intimidade significa expor-se a alguém e quando a própria pessoa não lida bem com a sua própria intimidade, como poderá conseguir relacionar-se de modo intimo com outra pessoa. Se a pessoa não se conhece a si própria e não sabe quem é, como pode desejar que alguém a ame ou a conheça?

Como é possível gerir o medo, se permanece em si o receio de intimidade com os outros, se tem medo do que possam pensar de si, se desconfia das suas intenções, se receia que se aproveitem das suas fraquezas. Como é possível evitar isso, se existe tanta insegurança relativamente à atitude dos outros. Ao pensar deste modo, a inibição e a repressão sentida só tem tendência a aumentar na presença de outras pessoas, enquanto esses sentimentos estiverem enraizados.

Muitas pessoas têm receio de intimidade mas, nem todas têm consciência disso. Mostrar intimidade é deixar cair as defesas, as máscaras e mostrar verdadeiramente quem é e o que deseja nos relacionamentos. Só agindo assim, a intimidade é exequível. No entanto, sente que manter alguma distância nas suas relações parece oferecer-lhe maior segurança, por recear que as suas fragilidades sejam usadas contra si e que isso a torne vulnerável. 

Quando evitar relacionar-se com intimidade por sentir todos esses receios, acaba por perder muito do prazer que poderia auferir numa relação. Perde a possibilidade de sentir as emoções no seu estado mais puro. Sempre que a pessoa partilha os sentimentos, desejos ou fragilidades numa relação, está a crescer, não só enquanto pessoa, mas a construir uma relação mais sólida.

O desejo de sentir conforto, amor e estabilidade emocional é necessário para que a pessoa se sinta completa, ninguém gosta de se sentir sozinho. Mas só se consegue alcançar a relação desejada quando existe partilha de intimidade, só assim, cada Homem fica saciado de amor.

A possibilidade de se ser mais feliz, existe dentro de cada um de nós, como tal, depende da sua vontade em querer desenvolver relações mais profundas e intensas e harmoniosas. Se possui essa consciência e não consegue relacionar-se com intimidade por sentir receio, também reconhece que está a perder muito do prazer que deseja. Sabe que agindo dessa forma, está a evitar sentir emoções mais intensas e verdadeiras, desperdiçando a oportunidade de  ser mais feliz. Se deseja alcançar essa plenitude mas, consegue efectuar essa alteração de comportamentos, procure ajuda profissional, por forma a  ultrapassar todos seus receios relacionais. 

Ao esconder determinadas características pessoais dos outros, não percebe que também está a escondê-las de si próprio. Este receio de expor a intimidade afeta muito as relações, mesmo as de longa duração. Por esse motivo, há quem viva 2 ou até 20 anos com uma pessoa e fica sem a conhecer verdadeiramente. 

Em muitos casos, as pessoas vivem juntas e não conhecem o íntimo da outra pessoa. É por isso acontecer que algumas vezes, quando descobre algo sobre a pessoa com quem partilha a vida, fica surpreendida com algumas das suas atitudes, ficando com sentimentos de estranheza relativamente a essa pessoa. Após algumas descobertas, o relacionamento muda, a pessoa sente-se desiludida, chegando muitas vezes a perder a confiança no outro. Nesse momento, sente que apesar do tempo em que está nessa relação, não conhece a pessoa tão bem quanto pensava. Essa pessoa passa a ser encarado como um estranho.

Esta ambivalência de ter medo da intimidade por um lado e, o desejo de construir uma relação profunda e intensa por outro, instala nas pessoas um dilema existencial muito complexo, porque apesar das defesas e máscaras utilizadas, todas as pessoas desejam e procuram essa intimidade em alguém. 

Viver é uma proeza e quem for camuflando os sentimentos e os desejos com medo do que poderá acontecer, além de não ultrapassar os bloqueios internos, sente-se frequentemente insatisfeito e frustrado. Só quem constrói relações íntimas pode alcançar o que parece ser um sonho e ser feliz.

Maria Pascoal

Quantas lágrimas existem por trás das máscaras! Quanto mais poderia o homem chegar ao encontro com o outro homem se nos aproximássemos uns dos outros como necessitados que somos, em fez de fazermos figura de fortes! Se deixássemos de nos mostrar auto-suficientes e nos atrevêssemos a reconhecer a grande necessidade que temos do outro para continuarmos a viver, como mortos de sede que na verdade estamos! Quanto mal poderia ser evitado!


Ernesto Sabato in Resistir 



domingo, 14 de dezembro de 2014

Depender da opinião dos outros


Não é preciso sacrificar os nossos sentimentos para gostarem de nós, pois temos virtudes e defeitos como todas as pessoas. Que gostar verdadeiramente de si, aceita-a tal como é não precisa de se subjugar e mudar o seu comportamento, só porque alguém decide por si. Ao fazer isso, só cria dentro de si, sentimentos de insatisfação.


Não deve esquecer que a forma de agir deve ser em função dos seus próprios valores. As atitudes, tomadas de decisão e escolhas devem ter significado interno, não devem ser comandadas por alguém exterior. A vida é sua e só tem uma para viver, não esqueça de a viver da melhor forma que conseguir.

Nos momentos em que estamos fragilizados, torna-se mais difícil lidar com a desilusão ou com a frustração. Especialmente, se é alguém afetivamente importante que nos magoa mas, se tivermos consciência do que somos e do que sentimos, é mais fácil evitar que alguém nos magoe com a mesma intensidade.




Nos momentos em que estamos fragilizados, torna-se mais difícil lidar com a desilusão ou com a frustração. Especialmente, se for alguém afetivamente importante que nos magoa mas, se tivermos consciência de quem somos e do que sentimos, é mais fácil evitar que alguém nos magoe com a mesma intensidade.

Quando as pessoas ficam magoadas ou desiludidas com a atitude dos outros, pode ser por diversas razões, mas considero que o que causa maior dor é, quando as pessoas por quem sentimos estima, não têm respeito pelos nossos sentimentos.

Nessas situações, é normal sentir mágoa, mas nem todos reagimos da mesma forma, perante as mesmas circunstâncias e, mesmo a própria pessoa tem muitas vezes reações diferentes, consoante as situações com que se depara, sendo por isso, sempre muito difícil perceber a melhor forma de reagir e saber o que fazer, quando se trata de questões emocionais.

Nesses momentos, a mágoa é mais acentuada, não só pela estima que sentimos por essas pessoas, mas também por sentimos que aquilo que nos fizeram, não é proporcional às atitudes que temos para com essas mesmas pessoas. Principalmente quando sentimos que nunca agimos dessa forma, com essas mesmas pessoas, em circunstâncias equivalentes.


Devemos sofrer por algo que não tenha realmente valor para nós? Se a pessoa e  o que nos diz ou faz é insignificante, porque será que se sofre com isso?

Se conhecer o motivo e tem consciência do que está a sentir, está no caminho certo, porque este é o 1ª passo para conseguir transformar esse sentimento, só tem de procurar a melhor maneira de o superar. É um processo difícil de alcançar sozinho em muitas situações mas, com ajuda psicoterapêutica as mágoas são mais fáceis de ultrapassar!

Se sente com frequência dificuldades em lidar em com algumas situações, não hesite em procurar ajuda, por forma a conseguir relacionamentos interpessoais mais harmoniosos e encontrar melhor equilíbrio interior.




domingo, 23 de novembro de 2014

7 Formas para melhorar a qualidade dos relacionamentos


O que é preciso fazer para manter a qualidade no relacionamento?

Os relacionamentos não são fáceis. É necessário ir construindo e conservando a qualidade do relacionamento para que uma relação flua, sendo também preciso muita perseverança e várias cedências de ambas as partes. 

1- Manter interesses comuns – Após a fase da paixão, é frequente as pessoas sentirem que tem poucos interesses em comum. Contudo, é de extrema importância descobrirem algumas atividades que possam desenvolver juntos. Mantendo contudo, as atividades que cada um gosta de fazer individualmente.

2 .  Andar de mãos dadas ou abraçados ajuda a fortalecer os vínculos- Se estes comportamentos eram habituais na fase inicial do namoro, é fulcral, continuar a proceder da mesma maneira e a tocar afetos sempre que estão juntos.

3.Conversar abertamente sobre tudo, especialmente se existir alguma situação que não decorreu segundo as expectativas - Ajuda a evitar conflitos posteriores e, a aumentar a confiança.

4.Pedir desculpas e aceitar as falhas- apreciar as qualidades do seu par em detrimento das falhas. Realçar as qualidades ajuda a lidar melhor com as imperfeições do seu par.

5.Verbalizar palavras de afeto, dar abraços e beijos - o contacto proporcionado por um abraço, beijo ou palavras ativam na memória sensações prazerosas.

6.Perguntar como foi o dia e, conversar sobre os contratempos que surgiram é uma forma de partilha que ajuda não só a superar melhor as dificuldades, como a fortalecer os laços entre o casal.

7. Ir para a cama ao mesmo tempo e trocar carinhos - é uma maneira de aumentar a cumplicidade, com a partilha deste momento no final de cada dia.



"Alimentar o Amor"


Começar é fácil. Acabar é mais fácil ainda. Chega-se sempre à primeira frase, ao primeiro número da revista, ao primeiro mês de amor. Cada começo é uma mudança e o coração humano vicia-se em mudar. Vicia-se na novidade do arranque, do início, da inauguração, da primeira linha na página branca, da luz e do barulho das portas a abrir.Começar é fácil. Acabar é mais fácil ainda. Por isso respeito cada vez menos estas actividades.Aprendi que o mais natural é criar e o mais difícil de tudo é continuar. A actividade que eu mais amo e respeito é a actividade de manter.Em Portugal quase tudo se resume a começos e a encerramentos. Arranca-se com qualquer coisa, de qualquer maneira, com todo o aparato. À mínima comichão aparece uma «iniciativa», que depois não tem prosseguimento ou perseverança e cai no esquecimento. Nem damos pela morte.É por isso que eu hoje respeito mais os continuadores que os criadores. Criadores não nos faltam. Chefes não nos faltam. Faltam-nos continuadores. Faltam-nos tenentes. Heróis não nos faltam. Faltam-nos guardiões.É como no amor. A manutenção do amor exige um cuidado maior. Qualquer palerma se apaixona, mas é preciso paciência para fazer perdurar uma paixão. O esforço de fazer continuar no tempo coisas que se julgam boas — sejam amores ou tradições, monumentos ou amizades — é o que distingue os seres humanos. O nascimento e a morte não têm valor — são os fados da animalidade. Procriar é bestial. O que é lindo é educar.Estou um pouco farto de revolucionários. Sei do que falo porque eu próprio sou revolucionário. Como toda a gente. Mudo quando posso e, apesar dos meus princípios, não suporto a autoridade.É tão fácil ser rebelde. Pica tão bem ser irreverente. Criar é tão giro. As pessoas adoram um gozão, um malcriado, um aventureiro. É o que eu sou. Estas crónicas provam-no. Mas queria que mostrassem também que não é isso que eu prezo e que não é só isso que eu sou.Se eu fosse forte, seria um verdadeiro conservador. Mudar é um instinto animal. Conservar, porque vai contra a natureza, é que é humano. Gosto mais de quem desenterra do que de quem planta. Gosto mais do arqueólogo do que do arquitecto. Gosto de académicos, de coleccionadores, de bibliotecários, de antologistas, de jardineiros.Percebo hoje a razão por que Auden disse que qualquer casamento duradoiro é mais apaixonante do que a mais acesa das paixões. Guardar é um trabalho custoso. As coisas têm uma tendência horrível para morrer. Salvá-las desse destino é a coisa mais bonita que se pode fazer. Haverá verbo mais bonito do que «salvaguardar»? É fácil uma pessoa bater com a porta, zangar-se e ir embora. O que é difícil é ficar. Isto ensinou-me o amor da minha vida, rapariga de esquerda, a mim, rapaz conservador. É por esta e por outras que eu lhe dedico este livro, que escrevi à sombra dela.Preservar é defender a alma do ataque da matéria e da animalidade. Deixadas sozinhas, as coisas amarelecem, apodrecem e morrem. Não há nada mais fácil do que esquecer o que já não existe. Começar do zero, ao contrário do que sempre pretenderam todos os revolucionários do mundo, é gratuito. Faz com que não seja preciso estudar, aprender, respeitar, absorver, continuar. Criar é fácil. As obras de arte criam-se como as galinhas. O difícil é continuar.

Miguel Esteves Cardoso, in As Minhas Aventuras na República Portuguesa